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  • Cronaca di una fuga (e ricattura) annunciata

    Cronaca di una fuga (e ricattura) annunciata

    Il Perù continua a non definire il presidente che lo guiderà fino al 2026 per le denunce di frode da parte di Keiko Fujimori contro la vittoria nei numeri di Pedro Castillo. A raccontarcelo Fabio Bozzato, che scrive fra gli altri per EastWeast, Vanity Fair e Il Venerdì. Ci siamo collegati poi con Santiago del Cile , per farci raccontare da Elena Basso del Centro di Giornalismo Permanente, lo strano caso di ex torturatore che è riuscito ad sfuggire della giustizia del proprio Paese, nonostante i serrati controllo agli spostamenti a causa di una sempre più grave Pandemia.

  • Guantanamo Calabro. Carta de Cesare Battisti

    Guantanamo Calabro. Carta de Cesare Battisti

    Em 16 de maio passado, Cesare Battisti, o ex militante comunista italiano que se esiliou no Brasil e foi extraditado ao início de 2019 da Bolívia para a Itália, escreveu desde o presídio de Rossano Calabro uma carta no jornal online italiano Carmilla onde conta pela primeira vez os detalhes da extradição ilegal da qual foi vítima e o papel cumprido pelos governos italiano, brasileiro e boliviano nessa ocasião. Ele traz a discussão também a sua escolha, que gerou muitas polémicas sobre tudo na esquerda brasileira, de se declarar culpável. Uma escolha que levou o ex presidente Lula da Silva a se arrepender de ter-lhe dado asilo. Nessa carta Battisti lembra que a base legal do asilo dele não foi a inocência ou extraneidade dos fatos violentos dos quais o então grupo político dele, os Proletari Armati per il Comunismo (PAC) foi o autor, mas pela natureza política desses delitos e pela persecução política da qual foi vítima na Itália. A carta oferece também a Battisti a possibilidade de refletir, criticamente e autocriticamente, sobre a dramática fase dos chamados “anos de chumbo” na Itália, a que ele define como “a degeneração de um 68 reprimido em sangue, que durou 15 anos”. Uma época da história que o governo italiano, por meio do tratamento ilegal e lesivo dos mais básicos direitos humanos ao qual somete o próprio Battisti, parece não saber ou querer ainda superar [Alessandro Peregalli e Rodrigo Ardissom de Souza].

    Por Cesare Battisti desde Revista Fórum

    Tradução de Alessandro Peregalli e Rodrigo Ardissom de Souza

    Para começar, gostaria de avisar que os próximos pontos dizem respeito a algumas passagens importantes em minha história pessoal, podem não ser exaustivos, nem afirmam sê-lo. É apenas questão de responder, embora de forma fragmentada, às perguntas mais frequentes que me foram feitas até agora por aqueles que, apesar da intoxicação da mídia, não desistiram de querer entender o meu caso. Mesmo que estes dados possam ser apenas parciais, a intenção é a de fornecer informações básicas que possam ajudar aos interessados a tirar suas próprias conclusões. Perdoe-me então, pela descontinuidade de uma edição sem pretensões de ser publicamente coerente. E em qualquer caso, dadas as circunstâncias, um discurso linear e profundo não seria possível para mim. Por esta razão, peço aos interessados para consultar meus escritos em Carmilla ou no meu último manuscrito que está sendo analisado atualmente por “Le Seuil” França.

    É natural, mas também óbvio, começar da minha prisão na Itália. Durante meus 20 meses de isolamento prisional em Oristano, dos quais apenas 6 foram em um estado de semilegalidade, alimentei a esperança de que mais cedo ou mais tarde a Instituição entenderia que não se pode punir ou vingar aplicando a um veterano dos anos 70 o status de prisioneiro de guerra de fato. Isso é o que sugere a privação de direitos estabelecida pelas leis nacionais e pelas regras do direito internacional. Em resposta a pedidos formais por motivos de tratamento desumano, citando medidas de segurança sem precedentes, que, além disso, têm sido aplicadas retroativamente há 41 anos, o Estado responde literalmente: “a documentação solicitada foi retida do seu direito de acesso”. Mas, então, nos perguntamos, qual é a possível defesa? Esta é a razão pela qual entrei em greve de fome em Oristano.

    Em resposta, o Estado raivoso me transferiu para a pior prisão da Itália, me colocando à força na secção ISIS-AS2. Isso, apesar das ameaças recebidas no passado e no presente, proferidas pelas diferentes frentes jihadistas contra mim. Mas se Cesare Battisti foi designado pela Autoridade Judicial para a segurança média, não tendo o “impeditimento”[1], o que ele está fazendo no AS2? Minha presença na secção ISIS implica em grandes dificuldades e pequenas margens de sobrevivência: sem nunca sair da cela para a banho de sol; limitando também a comida, já que são do ISIS os trabalhadores que a distribuem; objeto de ameaças através do portão da grade; privado de computador onde eu posso exercer a minha profissão; vigiado na frente e objeto de CED (medida disciplinar) a cada pequena reclamação; sujeito à censura, alegando suposta “atividade subversiva” (sic) e assim por diante, até ser impedido também no direito de defesa, estabelecido pelo artigo 24 da Constituição. Eu poderia encontrar meus familiares italianos, uma hora por semana quatro vezes por mês, mas, dada a distância do meu local de residência e a idade avançada dos meus irmãos, que varia de 70 a 80 anos, isso raramente acontece. Minha família que vive na França e no Brasil só posso contactá-la com chamadas de vídeo no meu celular uma vez por semana, mas então tenho que desistir das visitas presenciais. Desta forma, passo meses sem contato com meus filhos, para os quais tenho que pedir notícias por carta, quase sempre retidas pela censura porque estão escritas em uma língua estrangeira. Disseram-me até mesmo que meus filhos deveriam aprender a escrever em italiano para receber notícias de seu pai. Isso porque o censor tem dificuldade com o francês ou o português, que são as línguas maternas dos meus filhos. Esse é um tratamento desumano não só para qualquer prisioneiro, mas especialmente para alguém cujo último crime data de 41 anos atrás. E como se isso não fosse suficiente, o governo se compromete a manter um nível absurdo de periculosidade alimentando um processo de criminalização constante a ponto de poder justificar a apreensão do meu computador, onde eu estava completando um romance sobre o conflito em Rojava e o drama dos imigrantes. Apenas para se manter em sintonia com o ditame de reintegração na vida civil.

    Vamos dar um passo atrás e chegar à minha fuga do Brasil. As autoridades italianas nunca aceitaram meu refúgio no Brasil. O Estado trabalhou com todas as suas forças, mas também com meios ilícitos como a corrupção e a oferta de privilégios políticos e econômicos, para obter a minha entrega fraudulenta a todo custo! O Brasil abriga uma gigantesca comunidade de origem italiana, equivalente a 35 milhões de cidadãos. Um país dentro do país! Esta importante parcela da sociedade brasileira, além de controlar alguns setores da economia, tem uma forte influência no aparato militar do brasileiro. Há numerosas figuras na ditadura de origem italiana, como o próprio Bolsonaro. Mas pouco importa se o ex-capitão Bolsonaro, que foi expulso do exército, se ele e seus acólitos são súditos inescrupulosos, se não claramente criminosos à frente de milícias sangrentas. A Itália, através da Embaixada, sempre manteve relações privilegiadas com os lobbies militares próximos a Bolsonaro. A ponto de empurrar as empresas ítalo-brasileiras a entrar ativamente na campanha presidencial de Bolsonaro. Em troca de tal amizade, Bolsonaro promete minha extradição. Embora a Constituição o impeça de fazê-lo – você não pode revogar um decreto após 5 anos de sua emissão – Bolsonaro mantém sua promessa. Ao comprar e vender influência na Suprema Corte Federal, é desavergonhadamente ignorada a Constituição e o estatuto de prescrição dos crimes atribuídos a mim, e em dezembro de 2018 é decretada a ordem de extradição.

    O governo de esquerda cessante me garantiu contato direto com o presidente da Bolívia, Evo Morales, que pessoalmente permitiu que o fundador do MST, João Pedro Stédile, me recebesse na Bolívia com a concessão de refúgio político. Em uma operação combinada entre o PT (Partido dos Trabalhadores) brasileiro e o Mas (Movimento ao Socialismo) boliviano, fui transferido para Santa Cruz de la Sierra. Aqui fui entregue a um emissário do governo empregado direto do Chanceler. Enquanto esperava a papelada para refúgio, fui alojado em um Centro de Monitoramento: instalações pertencentes ao Ministério do Interior, que serviram de base para espionagem da oposição à Evo Morales! Uma dúzia de operadores de informática trabalharam lá, com os quais tive relações cordiais. De vez em quando chegava um alto funcionário do Estado, então eu tinha que ficar trancado no meu quarto no final do pátio. Tive imediatamente a impressão de que estava sendo observado a cada passo, não apenas por forças supostamente amigáveis. Quando a vigilância se tornou mais rigorosa, apontei para o chefe de Governo que dirigia o centro, mas ele respondeu de forma evasiva. Quando eu tinha já a certeza de que tinha algo errado, fui pego a alguns passos do centro, enquanto ia às compras. De repente, todos aqueles a quem eu havia sido apresentado para a regularização do asilo tinham desaparecido.

    Mesmo assim, eu não perdi as esperanças. Claramente pensei na traição de Evo Morales, mas ainda assim contava com as leis bolivianas que excluem a extradição por delitos políticos e, especialmente no meu caso, por estar prescrito de acordo com as leis bolivianas. Então, eu disse a mim mesmo, o pior que pode acontecer será cumprir algum tempo de prisão durante o processo de extradição. Em vez disso, eu deveria ter suspeitado que o que a Itália queria evitar era exatamente um julgamento regular. Os próprios policiais bolivianos da Interpol, alguns dos quais eu tinha encontrado no Centro de Monitoramento, pareciam bastante envergonhados com o que estava prestes a acontecer. Eles não tiveram dificuldade em me informar que ali tinha um monte italianos, brasileiros e agentes de outro país, que eles não queriam especificar. Eles me disseram claramente que minha pele estava sendo negociada e chamavam seus governantes de malandros. Entendi o que estavam falando na manhã seguinte. Quando uma equipe trajada de negro e com capuzes entrou e me levou para o aeroporto internacional de Santa Cruz de la Sierra.

    Colocado e guardado em uma sala cujas janelas se viam da pista, eu estava observando as questões burocráticas entre um núcleo da Polícia Federal brasileira e alguns oficiais da Força Aérea Boliviana. A menos de 100 metros da pista, os motores do turbo propulsor da PF do Brasil estavam aquecendo. Um pouco mais tarde eu estava acompanhando o delegado (comissário) e sua equipe a bordo do avião brasileiro. Em algum momento, houve um tumulto. Eles me tiraram de lá e voltamos para a mesma sala. Aqui fui entregue à polícia boliviana, enquanto os agentes brasileiros saíam sem mim. Por um momento tinha a esperança que Evo Morales tivesse dado uma contraordem. Uma esperança fugaz, até a chegada de um grande grupo de pessoas com cores italianas no pescoço, que me levou ao avião oficial que nos esperava muito longe na pista de pouso. Eu até tentei resistir: “É um sequestro”, gritei. A resposta foi desarmante: “E daí? Mas desta vez funcionou”. Na Bolívia, como no Brasil, as pessoas gritaram sobre o escândalo e o vergonhoso sequestro permitido por Evo Morales. Houveram protestos e até mesmo manifestações. Obviamente, não houve nenhuma menção a isso na Itália. Ninguém esperava que Evo Morales, já desacreditado pela base de seu partido, fosse tão longe. Mas o mais surpreendente para a covardia foi a vice-presidente Linera, com seu passado, que desapareceu na última hora para evitar dar explicações aos amigos comuns.

    Algumas pessoas se perguntaram com razão se esses procedimentos, que não são nada menos do que fraudulentos, não podem ser denunciadas às autoridades internacionais. A esse respeito, gostaria de informar que existem atualmente três procedimentos planejados contra os delitos acima mencionados, cometidos pelo Brasil, Bolívia e Itália. Respectivamente, o primeiro é um apelo à OEA e à ONU por um ato inconstitucional na anulação de um decreto presidencial de mais de 5 anos e a separação forçada da unidade familiar – o filho menor e a esposa que permanecem no Brasil –, o segundo é um apelo à ONU contra a Bolívia por sequestro e expulsão ilegal; o terceiro é um apelo à ONU contra a Itália por receptação ilícita; um apelo ao Tribunal Europeu por tratamento desumano na prisão. Mas um procedimento de petições internacionais leva muito tempo e é urgente para mim sair do inferno de Guantanamo Calabro: eu não tenho um impedimento, o que estou fazendo no AS2?

    Me disseram que lendo “Índio”, meu último romance publicado na França, pode-se ver nas entrelinhas a intenção de lidar com o sistema de justiça italiano. Terminei o último rascunho do “Índio” quando ninguém acreditava seriamente que uma pessoa como Bolsonaro pudesse se tornar presidente. Isso quer dizer que algumas de minhas reflexões sobre o futuro incerto do eterno refugiado e perseguido são insuspeitas. A desinformação que nos últimos 15 anos me fez o monstro a ser abatido, impossibilitou qualquer tentativa de lançar luz sobre meu caminho político-militante primeiro, refugiado depois. Tiveram o cuidado de não divulgar minhas tentativas de reconciliação e pacificação com uma suposta nova realidade social na Itália. Eu acreditava que a democracia italiana tivesse amadurecido, que fosse capaz de encarar sua própria história com dignidade e consciência. Estou obviamente me referindo aos “anos de chumbo”, um capítulo dramático de nossa História relegado a uma zona de sombra e tabu, onde a revisão histórica é dominante.

    Só para mencionar algumas tentativas de aproximação, a mais séria e formal foi enquanto eu estava na prisão em Brasília, durante o longo processo de extradição. Após algumas reuniões com o pessoal da Embaixada da Itália, onde fiz uma proposta de diálogo para o governo italiano. Foi num momento em que eu já estava certo de não ser extraditado. Propus-lhes que eu aceitaria voluntariamente a extradição se o governo estivesse disposto a abrir um debate, com pessoal qualificado, para finalmente fazer uma avaliação histórica do período da luta armada, “a degeneração de um 68 reprimido em sangue, que durou 15 anos”. O pessoal da embaixada, ou seja, os espiões, prometeram informar, mas nunca mais apareceram. Enquanto isso, eu também tinha iniciado uma correspondência com Alberto Torreggiani – sabemos que ele foi ferido por seu próprio pai durante o ataque dos PAC (Proletários Armados para o Comunismo, NdT), no qual eu não participei. A correspondência com Alberto Torreggiani, que hoje ele nega por ordem do Estado, ou simplesmente influenciado por reacionários justicialistas, era parte de uma intenção mais articulada de aproximação com as famílias das vítimas dos PAC. Isso no quadro da criação de um clima favorável para retornar, sem ódio, às responsabilidades de todos os componentes do conflito e, quem sabe, finalmente virar aquela página maldita dos “anos de chumbo”. Infelizmente, esta tentativa também colidiu com a intolerância feroz de certos setores políticos e didáticos sempre prontos a alimentar o ódio por interesses partidários obscuros. Não se pode não assistir com desconfiança os pontuais declarações públicas dos parentes das vítimas (obviamente sempre falamos apenas de um lado da barricada) alguns dos quais provavelmente nem tinham nascido na época: 41 anos atrás! E porquê sempre culpar o Battisti, como se tivesse sido ele quem inventou a luta armada? Enquanto os fascistas sob as ordens de alguma instituição estão se divertindo e ninguém grita na rua? Ou será justamente para proteger os assassinos em massa que temos que queimar uma testemunha, para que a desinformação sobre esses anos seja totalmente efetiva.

    A praga do Estado nos faz lembrar que devemos ficar calados. A pergunta que deveria ser feita por aquelas pessoas inconscientes que, com raiva nos olhos, exigem a execução para Cesare Battisti, deveria ser mais ou menos esta: “Por que até 2003 ninguém se importava com ele?” Quando Cesare Battisti ainda era apenas mais um entre as dezenas de refugiados italianos ao redor do mundo? Numa época em que ele publicava livros e artigos também na Itália e recebia visitas de personalidades italianas ligadas ao mundo político, cultural e até institucional? O que aconteceu em determinado momento, de modo que de repente ele se tornou o “monstro”, a ponto de alimentar o ódio dos parentes das vítimas – que estava até então adormecido? – e da mídia malandra? É absurdo que nenhum desses justicialistas pense em se perguntar. No entanto, a resposta é simples: Battisti escreve, fala na televisão, dá entrevistas e debates na arena internacional, investiga o passado, é autocrítico, mas ao mesmo tempo denuncia uma guerra civil que o Estado desencadeou e combateu com bombas nas praças e uma repressão sem precedentes. E tem permanecido reticente com a História.

    A luta armada na Itália não nasceu em alguma mente pervertida e não foi praticada por quatro desesperados. Ela surgiu de um grande movimento cultural e político que não podia suportar a opressão de um Estado corrupto e assassino. Um milhão de pessoas nas ruas e todos os cúmplices revolucionários. 6.000 pessoas condenadas; cerca de 60.000 denunciadas; mais de 100 grupos armados organizados; centenas os mortos, a maioria deles nas fileiras revolucionárias. Esse é o contexto social no qual os PAC nasceram. Não foi um partido armado, mas a expressão horizontal combatente da ampla frente de protesto, nas fábricas, no território e na educação nacional. Que seu ideal era comunista é claro pelo próprio nome (Proletários Armados pelo Comunismo), mas eles não tinham a intenção de invadir o Palácio de Inverno, nem de tomar o poder do Estado. Eram núcleos difusos e independentes que respondiam à sua maneira à injustiça desenfreada, à extrema direita que se armava em defesa dos privilégios do capital. Fortificados pela ideia de que o verdadeiro comunismo não poderia ser o expresso pela União Soviética, ao contrário, mas simplesmente aquele de uma sociedade futura inevitável, livre e igualitária, imaginada com extrema clareza no “Manifesto” de Marx e Engels. Apenas isso, sem mais sem menos. Que o momento histórico e o uso de armas tivesse sido correto ou não, os fatos e todos os militantes conscienciosos o disseram. Entre os quais eu me coloco em termos inequívocos. Pode-se admitir o erro, sem cair na indecência daqueles que se iludem de que podem compensar por tudo declarando seu arrependimento. Nunca uma palavra foi tão denegrida. Tenho demasiado respeito pela história e pelas vítimas que ela fez para pensar em me esconder atrás de uma camada de hipocrisia.

    Pensava-se que a Itália tivesse superado certas fraquezas e estivesse pronta para enfrentar sua própria História. Em vez disso, 40 anos depois, através de suas mais altas representações, ainda oferece aos cidadãos o mesmo show ignóbil, com a presa arrastada entre a multidão enfurecida; os insultos dos caçadores que evocam a presa; os selfie dos ministros; a folia da televisão; Battisti na arena; desfrute agora Povo! Aqui estão as torturas sofridas, depois de um sequestro triunfantemente reivindicado. A tal ponto que até o Tribunal de Cassação julgou mais ou menos nesses termos: “se a Bolívia cometeu um ilícito, não nos importa, eles nos deram Battisti e nós o levamos”. Nós o levaremos! Mas então vocês são uns traficantes! Mas não basta apreendê-lo e trazê-lo de volta para a prisão. Ele também deve ser tratado como um prisioneiro de guerra sem a proteção do estatuto. Não podemos legalmente dar-lhe 41 bis e impedimento? Não importa, nós os damos a ele de fato, mantendo-o isolado e impedindo-o de receber o tratamento que lhe permitiria ter acesso aos benefícios reservados a todos os presos. E se ele reclamar, nós o linchamos utilizando a mídia; nós o colocamos contra a vingança popular; aplicamos censura; lhe tiramos o seu computador para trabalhar; o colocamos na secção do ISIS onde ele será forçado a permanecer em isolamento voluntário. Aí está a tortura!

    Chegamos agora à minha escolha pessoal de julgamento. Estava dizendo que há vários anos eu vinha cogitando uma solução decente para pôr fim a esta perseguição, onde as forças políticas italianas não poupavam meios coercitivos ou pressões. A propósito, devo salientar que minhas declarações de inocência – nunca dirigidas às autoridades, somente à mídia – apenas apareceram depois de 2004 na França, e isso para forçar o Estado italiano a admitir o uso desviante da Justiça nos julgamentos da luta armada. Antes disso, e depois, eu nunca havia negado minha filiação ao PAC, assumindo as responsabilidades políticas. A responsabilidade criminal deveria ter sido provada primeiro no tribunal, antes de emitir sentenças de prisão perpétua e esperar por confissões tardias. Portanto, deve ficar claro que os países que aceitaram meu pedido de refúgio nunca o fizeram, e não poderiam tê-lo feito, com base a uma suposta declaração de inocência – como falsamente declarado pelo oportunista Lula – mas exclusivamente por causa da natureza política do crime.

    Pensei seriamente em uma solução coletiva dos nossos anos 70. O clima político na Itália não era o ideal, mas eu sabia da existência de personalidades e tendências dentro do mundo judiciário que, tendo lutado na linha de frente na guerra contra o “terrorismo” – como dizem hoje em dia – conheciam bem o assunto e não tinham interesse em recorrer à propaganda obscurantista para entender a realidade dos fatos. Certas pistas me disseram que estas pessoas, ou correntes de pensamento, ainda esperavam que um dia pudéssemos virar estas tristes páginas da história com dignidade e respeito pela memória nacional. Posso citar a este respeito o pensamento do magistrado emérito Giuliano Turone, juiz examinador do julgamento sobre os PAC, que em seu livro “O caso Battisti” afirma mais ou menos nestes termos: “Paradoxalmente, aceitando suas responsabilidades políticas e penais, poderia ser apenas Cesare Battisti a tornar possível finalmente rever e encerrar este capítulo da história”. As palavras podem não ser as mesmas, mas o sentido é este. Movido por este sentimento, alimentado pela esperança de que 40 anos eram já muito tempo e que a democracia italiana tinha que ter amadurecido e que o Estado também era um administrador forte e responsável, decidi confiar na justiça e chamei o promotor de Milão. Aquela minha deposição em 23 de março de 2019 foi uma escolha dolorosa. Estava longe da Itália desde 1981, e meus contatos com o belpaese eram reduzidos a poucos membros da família e ao editor. Não podia imaginar que, além da histeria da mídia, eu ainda pudesse despertar a vingança do Estado. Com a enorme dificuldade de ter que voltar a um julgamento que havia sido arquivado por décadas, sem nenhum fato novo para contribuir, exceto pelas ressalvas agora impossíveis sobre minhas próprias responsabilidades. Não me restava nada para fazer a não ser tomar o pacote completo, porém, criminalmente, não teria peso. Diante da escolha de enfrentar um julgamento histórico, e eu não fui o único a acreditar nisso, que sentido teria em mergulhar no código penal 40 anos depois?

    Fui condenado a duas penas perpétuas e seis meses de prisão solitária por ter sido considerado culpado de praticamente todos os crimes cometidos pelo PAC, incluindo quatro atentados mortais. Onde a minha presença física no local do crime não podia ser provada, fui considerado o instigador. Devo talvez ressaltar que em tal conflito, os instigadores não existem e, se existissem, teríamos que procurá-los entre o povo? Em qualquer caso, certamente não poderia ter sido eu.

    Eu admiti tudo. Reiterei minha autocrítica pela escolha de ter participado da luta armada, porque foi política e humanamente desastrosa. Mas eu não o tinha dito mil vezes ao longo de todos estes anos? Não tinha nada a arrepender-me porque, errado ou não, não se pode mudar com uma visão a posteriori o significado de eventos historicamente definidos por um contexto social específico. Seria absurdo dizer que não poderia ter sido evitado, mas sei que o movimento revolucionário não se esquivou de assumir suas responsabilidades. Não podemos dizer o mesmo por parte do Estado. Também não tinha nada a pedir em troca de minha confissão. Não teria sido legalmente exigido e bastava para mim que tivesse sido aplicada a lei, como para qualquer outro condenado sem o terrível “impedimento”, para ter acesso a algum benefício futuro reservado a todos.

    Em resumo, é como dizer, tudo bem, vocês ganharam e eu estou aqui para testemunhar os cantos de vitória imerecida. Mas, uma vez terminada a festa, caro Estado democrático, vamos todos nos comprometer a reabilitar a história violada, enquanto eu cumpro minha sentença, de acordo com os termos das leis nacionais e das regras internacionais da humanidade como qualquer outro condenado? Pura ilusão. Depois de ter ostentado para o mundo inteiro o fruto de uma caçada suja, cantado uma vitória obtida por engano sobre o sangue das vítimas e a honra barrada da História, o Estado dos remendos não se contradiz e mostra sua verdadeira face. Ela se entrega aos bócios da forca, cavalga a onda populista, sacrifica até mesmo a palavra das autoridades que a serviram, mesmo quando não a mereciam.

    Este é o sentimento que me acompanhou de Oristano a Guantanamo Calabro, à mercê do ISIS e submetido a um tratamento digno de uma ditadura militar. Mas não perdi a esperança e estou certo de que a justiça e a verdade prevalecerão.

    – Cesare Battisti


    [1] No texto original é ergastolo ostativo, que poderia ser traduzido com “prisão perpétua hostil”. É a exceção à regra na medida em que não permite qualquer tipo de benefício ou recompensa para a pessoa condenada. A prisão perpétua hostil é infligida a indivíduos altamente perigosos que cometeram certos crimes (por exemplo, sequestro com o propósito de extorsão ou associação mafiosa) e é o que é conhecido como o “fim da sentença nunca”.

  • Il vincitore senza vittoria

    Il vincitore senza vittoria

     

    10_giugno_2021: le cifre sono favorevoli al candidato della sinistra Pedro Castillo, ma il Perù non ha confermato ancora la sua vittoria per alcuni pochi voti contestati. Su questo e sul complicato panorama politica, ne ha parlato da Lima il cooperante Daniele Ingratoci. Ci siamo poi collegati in diretta con la città del Messico per parlare con la giornalista Caterina Morbiato di una vittoria a metà per AMLO e della visita della vicepresidente statunitense Kamala Harris. Abbiamo concluso la trasmissione raccontando con Alberto Muraro il Padova Tango Festival in corso.

  • “Bolsonaro genocida”: in Brasile le proteste travolgono il governo

    “Bolsonaro genocida”: in Brasile le proteste travolgono il governo
    Manifestazione 29M a Belo Horizonte (Alessandro Peregalli)

    di Susanna De Guio e Alessandro Peregalli da Valigia Blu

    Le immagini aeree dell’avenida Paulista inondata di persone hanno fatto il giro del mondo lo scorso fine settimana. L’immensa manifestazione lungo il famoso viale al centro di San Paolo, la città più popolata del Brasile, simboleggiava quel che si stava ripetendo in oltre 200 municipi in tutto il paese. Il 29 maggio, nelle principali capitali regionali, i cortei hanno portato in strada decine di migliaia di persone e si sono replicati anche in 13 città all’estero. Si tratta della prima grande manifestazione contro Bolsonaro con adesione di massa dall’inizio del suo governo.

    L’evento acquisisce un’importanza significativa perché avviene in un contesto di grande fibrillazione sociale in tutta la regione latinoamericana, in cui il Brasile sembrava finora il grande assente. Ma soprattutto si inserisce in un conflitto politico e istituzionale che dura nel paese fin dall’inizio della pandemia e che ha visto finora le strade occupate dai supporters del presidente, negazionista nei confronti della pandemia, mentre all’opposizione è toccato sostenere ed esigere politiche per la riduzione dei contagi che prevedono misure di distanziamento fisico.

    Leggi anche >> Sistema sanitario al collasso, contagi fuori controllo, il negazionismo del presidente Bolsonaro: il Brasile travolto da un “inferno violento”

    Perché dunque movimenti, partiti e sindacati sono disposti adesso a scendere in piazza, nonostante il rischio di assembramenti, e con un numero di contagi quotidiano tutt’altro che rassicurante?

    Il negazionismo di Bolsonaro di fronte al Covid-19

    Per capire che cosa è cambiato in Brasile rispetto a un anno e mezzo fa, quando si registravano i primi contagi di SARS-CoV-2, è necessario analizzare le strategie adottate da Bolsonaro per affrontare l’emergenza sanitaria, la peggiore gestione del mondo secondo uno studio dell’istituto australiano Lowy uscito lo scorso gennaio.

    Il presidente brasiliano ha dimostrato fin dall’inizio della pandemia di sottovalutarne gli effetti, qualificandola come una gripezinha, una febbriciattola, rifiutando l’uso della mascherina, promuovendo medicinali la cui efficacia non è comprovata, come la clorochina, e soprattutto negando l’introduzione di quarantene e restrizioni per ridurre la propagazione del virus – cosa che invece stava accadendo in Europa e nei paesi vicini in America Latina – per salvaguardare la produzione, come affermava chiaramente la campagna comunicativa del governo: “il Brasile non si può fermare”.

    Eletto nel 2018 come un presidente anti-establishment, in controtendenza rispetto alle regole della vecchia politica, Bolsonaro ha adottato l’ambiguità come strategia comunicativa di fronte a un contesto di crisi sanitaria mondiale, che avrebbe invece richiesto di prendere decisioni chiare e argomentate con tempestività. In Brasile la gestione della pandemia è stata lasciata in mano ai governatori dei diversi Stati federali e al Sistema Unico di Salute (SUS), mentre Bolsonaro si è preoccupato di scaricare le responsabilità delle scelte inefficaci o sbagliate e si è appropriato dei risultati positivi, come ad esempio l’implementazione dell’aiuto economico di emergenza, promosso inizialmente dall’opposizione nel Congresso federale, che ha sostenuto circa 60 milioni di persone da aprile a dicembre 2020.

    Sono numerosi gli esempi delle affermazioni polemiche, poi ritrattate e nuovamente riproposte nel discorso pubblico di Bolsonaro, che nel contesto della pandemia si sono fatte più evidenti e grottesche. Per esempio, coerente con la sua radicale sinofobia, a ottobre dell’anno scorso affermava che il governo non avrebbe comprato il vaccino cinese, mentre in gennaio 2021, quando l’Agencia de Vigilancia Sanitaria dava avvio alla campagna vaccinale, l’unico disponibile era proprio il CoronaVac, procurato dal governatore di San Paolo, João Doria. Allo stesso tempo, nonostante le iniziative del Brasile per avviare la produzione locale di vaccini contro il Covid-19, Bolsonaro non ha intenzione di vaccinarsi e continua a promuovere metodi di “attenzione medica precoce” sul suo canale YouTube.

    Cambia il vento nell’opinione pubblica

    La disapprovazione verso Bolsonaro nei sondaggi ha avuto un picco a gennaio, in seguito alla crisi negli ospedali di Manaos che, lasciati senza rifornimenti di ossigeno, hanno registrato la morte di almeno 30 persone per insufficienza respiratoria. Nello stesso momento la prima somministrazione di vaccini nel paese cominciava con attriti diplomatici e ritardi nell’arrivo delle dosi dalla Cina. 

    Il 1° febbraio, con il ricambio alla presidenza delle due Camere parlamentari, Bolsonaro sperava di poter sfuggire alle oltre 60 richieste di impeachment accumulate per atti antidemocratici, crimini ecologici, contro le minoranze etniche e contro la salute pubblica nel contesto della pandemia. La nuova maggioranza ottenuta nel Congresso è dovuta al sostegno di quell’area politica che in Brasile si conosce come Centrão, una quantità di partiti considerati “fisiologici”, che rispondono a capi locali perlopiù conservatori o figure militari senza un’ideologia definita e che prestano il loro appoggio per convenienza politica. I partiti del Centrão sono stati ricambiati con una serie di assunzioni clientelari a personaggi della “vecchia politica” e con il sacrificio di alcuni dei ministri dell’ala più ideologica del governo, come il ministro degli Esteri Ernesto Araujo e il ministro della Salute, il generale Eduardo Pazuello.  

    Nonostante questo effimero sostegno, insieme a un nucleo duro di consensi nell’elettorato, che corrisponde a un 30% di seguaci convinti, Bolsonaro non ha potuto evitare, ad aprile, l’apertura di una Commissione Parlamentare d’Inchiesta (CPI) da parte del Senato, destinata a indagare le eventuali omissioni e responsabilità del governo negli errori e nelle difficoltà di gestione della crisi sanitaria che fanno del Brasile uno dei Paesi più colpiti dal Covid-19 a livello mondiale, con quasi 17 milioni di contagi e 469mila morti.

    La vastissima attenzione pubblica riscossa dalle attività della Commissione, trasmesse in diretta televisiva, parla di un cambiamento generale nell’opinione sul presidente, sempre più messo all’angolo dalle rivelazioni dei diversi personaggi interrogati. In particolare, a metà maggio ha generato profonda indignazione la deposizione del presidente di Pfizer in America Latina, Carlos Murillo, in cui dichiarava che Bolsonaro e l’allora ministro della Salute Pazuello hanno ignorato almeno cinque offerte di vaccini tra agosto e novembre 2020, pari a 1,5 milioni di dosi che così sarebbero state disponibili già lo scorso anno. In generale, tra i ritardi nell’acquisto del CoronaVac e il rifiuto di comprare Pfizer, si calcola che ad oggi si sarebbero potute evitare 94mila morti, oltre ovviamente a un numero indecifrato di vittime attraverso politiche di isolamento sociale. 

    Il lento crescere del dissenso

    L’enorme scandalo legato al rifiuto di comprare i vaccini ha generato un salto di qualità nella percezione generale della popolazione rispetto al governo Bolsonaro. L’appellativo di “genocida”, basato sull’idea del presidente di portare avanti una politica di “immunità di gregge” con la diffusione accelerata del contagio, viene usato da più di un anno dalle organizzazioni di sinistra, però ora il termine è diventato comune tra la popolazione. 

    Nell’ultimo anno e mezzo Bolsonaro, agevolato da un discorso negazionista fortemente de-responsabilizzante, ha avuto buon gioco nel mobilitare i suoi sostenitori, in certi contesti appoggiandosi alle manifestazioni pro-governo per attaccare il parlamento o la Corte Suprema o minacciare direttamente un colpo di Stato militare. Tuttavia, nonostante la generale inclinazione dei partiti e movimenti di sinistra ad astenersi dalla protesta di piazza, non sono mancati momenti attivi di ripudio al governo, spesso spontanei, lanciati da organizzazioni e collettivi estranei alla sinistra istituzionale, oppure realizzati attraverso forme di lotta nuove.

    Il primo di questi momenti è stato esattamente un anno fa, agli inizi di giugno del 2020, nel periodo di maggior rischio di sterzata autoritaria del regime, con alcune manifestazioni di piazza lanciate da gruppi di ultras antifascisti e dal movimento afro-brasiliano Vidas Negras Importam, nato in coincidenza e solidarietà con l’esplosione di Black Lives Matter negli Stati Uniti. Un altro punto di contrasto al governo è stato a gennaio di quest’anno, quando le centrali sindacali hanno lanciato una serie di carreatas (manifestazioni in macchina), che però per forza di cose non ha avuto una partecipazione al di là di settori della classe media. Più in generale, nel corso degli ormai quasi 15 mesi di pandemia, sono stati frequenti i panelaços, in cui la gente protestava dalle finestre di casa facendo rumore con pentole e stoviglie, ma anche in questi casi a partecipare sono stati soprattutto settori della piccola borghesia. A livello popolare, forme di lotta più diffuse, ma spesso non riconducibili a uno schema politico di appoggio o contrasto al governo, sono state gli scioperi dei riders contro le condizioni di super-sfruttamento imposte dalle imprese di delivery, i blocchi dei camionisti, generati dal fortissimo aumento dei prezzi della benzina, e la creazione di cordoni sanitari nelle comunità rurali e indigene.

    Il #29M Fora Bolsonaro

    Da marzo, con la situazione pandemica precipitata e l’inizio delle attività della Commissione Parlamentare d’Inchiesta, l’aumento della povertà a causa della brusca fine degli aiuti d’emergenza da gennaio, e probabilmente grazie anche all’eco delle mobilitazioni colombiane, la necessità di mobilitarsi si è diffusa anche in quei settori della sinistra politica e sociale che fino ad ora erano rimasti fermi sulla parola d’ordine del #FiqueEmCasa (resta a casa). 

    A facilitare la decisione di coalizioni sociali come Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo di lanciare finalmente un’iniziativa di piazza ha contribuito anche la conferma scientifica sulla capacità delle maschere PFF2 e N95 di proteggere adeguatamente  in situazioni di assembramenti all’aria aperta, tanto che negli ultimi mesi sono sorti collettivi che si sono dedicati a distribuire questi tipi di maschere.

    La dimensione di massa delle manifestazioni del 29 maggio ha segnato un punto di svolta nella lotta contro Bolsonaro, non solo perché è riuscita a offuscare le iniziative che settimanalmente vengono promosse dai sostenitori del governo, ma anche perché ha segnato una disposizione alla lotta delle forze democratiche che da anni in Brasile era sopita. Oltre allo slogan Fora Bolsonaro, non sono mancate altre rivendicazioni, chiaramente espresse nei numerosi cartelli portati in piazza non solo da movimenti, partiti e organizzazioni politiche ma spesso da singole e singoli cittadini indignati: una politica di acquisto, produzione e distribuzione efficienti del vaccino, un reddito di emergenza dignitoso per tutte le persone che, per le precarie condizioni economiche, non possono permettersi di stare in quarantena, e lo stop alle politiche di privatizzazione che vengono discusse in questi giorni dal Parlamento, come quella dell’impresa postale e quella di Electrobras. 

    Le manifestazioni sono state pacifiche e non hanno registrato episodi di repressione statale, con la forte eccezione della cittá di Recife, dove la polizia ha sferrato un pesantissimo attacco al corteo, con fitto lancio di lacrimogeni e pallottole ad altezza uomo, che hanno lesionato gli occhi di tre persone, mentre una consigliera comunale del PT è stata attaccata con spray al peperoncino. Lo stesso governo statale di Pernambuco, guidato dal partito di centrosinistra PSB (Partito Socialista Brasiliano), ha dichiarato di non aver ordinato la repressione, per cui si pensa sia stata un’iniziativa autonoma della polizia, che è uno dei settori più dominati da militanti pro-Bolsonaro. L’episodio getta dunque una luce oscura sulla capacità di azione autonoma ed eversiva che hanno settori della polizia militare, già intravista nell’insubordinazione avvenuta nel Ceará nel febbraio 2020, anche in quel caso uno Stato governato dall’opposizione.

    Tra polarizzazione sociale e scenario elettorale

    Una nuova ondata di contestazioni al presidente è avvenuta mercoledì scorso durante il suo discorso a reti unificate, e nel frattempo i movimenti sociali hanno convocato una nuova manifestazione per il 19 giugno. Allo stesso tempo, spicca il silenzio di Lula, il principale oppositore politico che, dopo l’assoluzione dai carichi giudiziari che l’hanno tenuto in carcere per oltre un anno, sta tornando a costruire alleanze politiche, spesso soprattutto a destra, per sfidare Bolsonaro alle prossime presidenziali. La strategia di Lula e del PT sembra essere quella di logorare lentamente Bolsonaro, nella previsione di poterlo facilmente sconfiggere nel 2022, mantenendo però la polarizzazione per evitare l’emergere di una terza via centrista. Un calcolo tuttavia azzardato, e non privo di opportunismo, in quanto il bolsonarismo, seppur in crisi, sta dimostrando di preservare uno zoccolo duro di consenso, una resilienza e soprattutto un radicamento militante in settori chiave della società brasiliana che lo rendono ancora pericoloso. 

    Nel mezzo di un contesto politico in cambiamento e di forte polarizzazione, a soli due giorni dalle manifestazioni, Bolsonaro ha deciso di soffiare sul fuoco della crisi. Sembra andare in questa direzione infatti la sfacciata decisione di accogliere la richiesta della Conmebol di ospitare la Coppa America, già declinata dalla Colombia a causa del conflitto sociale in corso e dall’Argentina per l’emergenza legata alla COVID-19. Per tutta risposta, sui social network riprende a circolare lo slogan Não vai ter Copa!Non ci sarà nessuna coppa, già cantato in piazza nel 2013 da un potentissimo movimento che, opponendosi alle speculazioni urbane in vista dei mondiali dell’anno successivo, scosse alle fondamenta il sistema politico brasiliano. Allora al governo c’era il PT di Dilma Rousseff, il Brasile si credeva un paese felice e in crescita, e percepì a fatica il malcontento crescente in un modello sociale di inclusione ma anche di forti lacerazioni sociali. Oggi quello slogan risuona in uno scenario drammaticamente più macabro, se non necropolitico. Forse davvero la Storia si ripresenta sempre due volte, ma in questo caso la prima come farsa, e solo poi, come tragedia.

    Manifestazione 29M a Belo Horizonte (Alessandro Peregalli)
    Manifestazione 29M a Belo Horizonte (Alessandro Peregalli)
    Manifestazione 29M a Belo Horizonte (Alessandro Peregalli)
  • Proteste contro le destre

    Proteste contro le destre

    03_06_2021: la politica sanitaria da parte del governo di Jair Bolsonaro, oltre a portare al Brasile ad essere il secondo Paese al mondo per quantità di morti, ha fatto scendere in piazza tanti cittadini nonostante il rischio per chiedere un cambio nel piano vaccinale e la rimozione del presidente. Ne abbiamo parlato con il ricercatore Alessandro Peregalli che si trova a Belo Horizonte. Ci siamo collegati poi con Cali, l’epicentro delle proteste in Colombia, per capire il clima di brutale repressione da parte del governo Duque contro le proteste degli studenti e non solo. Al telefono con noi Emanuel Giraldo Betancur, regista di documentari e integrante del Banco della Memoria Colombiana; in conclusione di puntata abbiamo visionato il panorama politico di tutto il Paese insieme ricercatore dell’Universidad Nacional de Colombia e docente presso l’Universidad de Los Andes Giacomo Finzi

  • Guanajuato duele

    Guanajuato duele
    Cielo nuboso en Guanajuato, México (Notus, 2018)

    De Fabrizio Lorusso [desde Desinformémonos]

    El 29 de mayo Francisco Javier Barajas Piña fue asesinado con arma de fuego en el centro de Salvatierra, Guanajuato, cerca de su casa. Él tenía apenas 27 años. Como parte del Grupo de acompañantes de las búsquedas en Guanajuato, pude conocerlo durante varias jornadas en campo, a partir justamente de los hallazgos de 65 fosas con 79 cuerpos en Rancho Nuevo, Salvatierra, entre octubre y noviembre pasados.

    Javier participó en campo directamente para buscar a su hermana, la maestra Lupita Barajas Piña, desaparecida el 29 de febrero de 2020 en Salvatierra. El magisterio, la familia, los colectivos del estado, las y los solidarios de varias partes emprendieron su búsqueda en las primeras semanas, sin resultados. Su caso fue visibilizado a nivel nacional pero no hubo avances en las investigaciones de la fiscalía. En agosto comenzaron las búsquedas generalizadas en campo en diferentes sitios del estado, dirigidas por la Comisión Estatal y la Nacional, en conjunto con las familias. Hasta finales de octubre hubo los primeros hallazgos en Salvatierra propiamente.

    Lugares de exterminio e impunidad como El Conejo en Irapuato, Rancho Nuevo en Salvatierra, Cañada de Caracheo en Cortazar, La Ascensión en Acámbaro, Cerro Prieto en Moroleón, El Sauz en Celaya, San Antonio de las Maravillas en Juventino Rosas, entre otros, constituyen espacios de dolor que la memoria colectiva deberá rescatar y resignificar, iniciando un proceso de reparación, más allá de que se hayan cerrado las carpetas o las búsquedas allí. Más que nunca en Guanajuato y en el país es necesario un mecanismo de justicia transicional especial, adaptado al México del 2021, que devuelva dignidad a las víctimas y sobrevivientes de la violencia, así como pistas para la verdad y la no repetición. 

    Casi un año después de su desaparición, Lupita fue identificada entre los cuerpos rescatados. Mientras tanto, Javier había comenzado a colaborar como parte del equipo de la comisión estatal de búsqueda y se había integrado a la institución. Quienes acompañamos, los colegas de la comisión y todas las familias y buscadoras, hermanas del mismo dolor, que buscan a sus seres queridos en Guanajuato, lamentan el vil atendado que lo dejó sin vida y piden que no haya impunidad.

    Desde su condición de víctima indirecta de la desaparición de su hermana y de buscador, Javier se había convertido también en funcionario público al servicio de los colectivos y la comunidad, como defensor del derecho de las y los desaparecidos a ser buscados, de las familias a dar con su paradero y de la sociedad a destapar la desgarradora verdad de violencia, violaciones a derechos humanos y macrocriminalidad que había quedado oculta en la entidad. Aquí se busca en el medio de la guerra y la emergencia.

    “Guanajuato vive en un Estado de Emergencia desde hace años. Ocupa el primer lugar en homicidios a nivel nacional. Tan solo en el último año se han encontrado centenares de cuerpos y fosas clandestinas en la mayoría de los municipios de la entidad. Hay más de 2,500 personas desaparecidas y seis de cada diez casos han sucedido durante los últimos 3 años frente a la mirada de la Fiscalía”, detalla uno de los comunicados.

    Somos testigos de la entrega incondicional de centenares de familias en Guanajuato que han decidido salir a buscar y no callar, así como del tremendo contexto en que lo tienen que hacer, pero asimismo atestiguamos la ineficacia de las autoridades de todos los niveles en garantizar un horizonte aceptable de convivencia civil, de seguridad, de persecución de los delitos y de bienestar. Todo eso es utopía en Guanajuato y sería lo mínimo para hablar de un Estado funcional, que evidentemente no existe.

    Desde el gobierno de Diego Sinhue Rodríguez Vallejo no se ha emitido, hasta la mañana del 2 de junio, ningún posicionamiento sobre el homicidio de Javier Barajas que diera una señal fuerte contra la impunidad, un mensaje antimafia claro y una presencia simbólica y material efectiva de parte del Estado.

    De hecho, los colectivos de Guanajuato y grupos del resto del país, las comisiones de búsqueda estatales y la nacional, los Consejos ciudadanos de víctimas y de búsqueda estatales y el Consejo nacional ciudadano, fueron los primeros en expresar repudio por el asesinato y exigencia de protección, reparación, verdad y justicia hacia las autoridades. El comunicado, firmado por decenas de organizaciones y colectivos de familiares, del Grupo Multidisciplinario de Acompañantes en las Búsquedas, Guanajuato y Plataforma por la Paz y la Justicia en Guanajuato, se pide:

    • A la Fiscalía General del Estado de Guanajuato que investigue el asesinato considerando la doble condición de víctima de Javier y su pertenencia a la Comisión Estatal de Búsqueda del Estado de Guanajuato.
    • Al Mecanismo Federal de Protección de Personas Defensoras de Derechos Humanos que ofrezca medidas eficaces a los Colectivos de familias de personas desaparecidas que así lo soliciten, en coordinación con el Consejo Estatal.
    • A los Sistemas Estatal de Búsqueda y de Atención Integral a Víctimas a que sesionen de forma conjunta para revisar las condiciones de seguridad que deben garantizarse en las búsquedas tanto a las familias como a quienes integran la Comisión Estatal de Búsqueda.
    • A la Comisión Estatal de Atención Integral a Víctimas (CEAIV) que establezca un plan de reparación para la familia Barajas Piña, incluido el establecimiento de un Memorial de Paz, como lo ha solicitado en el Colectivo “Mariposas Destellando, Buscando Corazones y Justicia”

    Para concluir, auspicio un viraje institucional, que a lo mejor pueda acompañarse o impulsarse por instancias internacionales (Onu-Dh, CIDH, organizaciones non gubernamentales), ante el conflicto armado que viven Guanajuato y muchas regiones de México que nos duelen. Asimismo, esperan una respuesta pronta a su planteamiento los 12 colectivos de buscadoras activos en Guanajuato, pues ante este grave crimen, manifiestan:

    1) Nos solidarizamos con sus familiares y amigos en la pena que nos llena su ausencia. Ninguna persona debe morir por exigir justicia.

    2) Condenamos su asesinato y exigimos a la Fiscalía General de Justicia de Guanajuato una investigación pronta, eficiente y expedita para garantizar que su muerte no quede impune. 3) Pedimos al gobernador Diego Sinhue Rodríguez, que cumpla con su deber de garantizar seguridad a las familias en búsqueda y exigimos medidas de reparación, dignificar su memoria y mecanismos de no repetición.

  • La destra insediata

    La destra insediata

     

    27_maggio_2021: il neo presidente dell’Ecuador, Guillermo Lasso, che qualcuno paragona a Berlusconi, arriva con una agenda politica voltata chiaramente a destra, ma pure cercando un dialogo con alcuni gruppi indigeni. Ci colleghiamo con Quito per parlarne con il professore Davide Matrone. In questa edizione potrete ascoltare pure alcuni aggiornamenti sulla repressione in Colombia e sul ballottaggio in Perù che si svolgerà il 6 giugno

  • “Un terremoto politico scuote il Cile”: intervista a Sergio Grez

    “Un terremoto politico scuote il Cile”: intervista a Sergio Grez
    Plaza Dignidad, Santiago del Cile, gennaio 2020 (Susanna De Guio)

    di Susanna De Guio

    Lo scenario politico si è ribaltato in Cile lo scorso 16 maggio, di fronte ai risultati delle elezioni: non solo la destra del presidente Piñera è uscita sconfitta, ma anche i partiti tradizionali del centro sinistra hanno ricevuto un durissimo colpo. Ne sono una prova le incandescenti discussioni per negoziare le candidature presidenziali che si sono scatenate all’indomani del voto tra le file della Democrazia Cristiana e del Partito Socialista.

    Il messaggio che i cittadini cileni hanno espresso alle urne è forte e chiaro: la vecchia politica istituzionale è morta. Le schede elettorali da riempire erano quattro: sindaci, consiglieri, governatori regionali, ma soprattutto si eleggevano i delegati alla Convenzione Costituzionale che nei prossimi mesi riscriveranno la Carta Magna cilena, sostituendo quella approvata dal governo militare del dittatore Pinochet nel 1980. I partiti della destra, raccolti in una sola lista per potenziare il risultato del voto e promossi con campagne elettorali milionarie, non sono comunque riusciti a raggiungere l’agognato terzo dei seggi che permetterebbe di porre il veto sulle proposte dell’organo costituente. Il voto ha premiato invece le liste indipendenti che competevano con i grandi partiti, nonostante gli ostacoli posti dal servizio elettorale, le difficoltà economiche per sostenere la propria campagna e la censura dei media.

    “È stato un terremoto per l’intera casta politica” afferma Sergio Grez, storico e accademico dell’Università del Cile, e inoltre membro del Forum per l’Assemblea Costituente, movimento che ha iniziato a reclamare il cambio della Costituzione già diversi anni prima dell’ottobre 2019, quando la rivolta popolare ha raccolto e amplificato questa rivendicazione. Lo abbiamo intervistato per capire quali sono le prossime sfide in questo scenario aperto, dove tutto sembra ora possibile per chi vuole cambiamenti profondi in Cile.

    Qual è la prima valutazione delle elezioni dello scorso fine settimana?

    La cittadinanza ha rifiutato e soprattutto negato una partecipazione significativa nella futura Convenzione Costituzionale a tutta la casta politica che ha iniziato e condotto la transizione alla democrazia in Cile dal 1991 ad oggi. Tutti gli amministratori del modello neoliberista dal periodo post-dittatoriale ad oggi hanno incassato una sonora sconfitta.

    Sull’altro versante c’è un’avanzata molto importante delle forze di contenuto anti-neoliberale, e di sinistra in alcuni casi. Per esempio, la Lista del Pueblo – che ha eletto 27 costituenti – non è un partito politico, è una lista che si è formata di corsa e semi-spontaneamente, tra dirigenti di movimento e rappresentanti delle assemblee durante la ribellione popolare. A questo si devono aggiungere i 28 eletti del patto Apruebo Dignidad, che è composto principalmente da Partito Comunista e Frente Amplio. È stato molto significativo anche il voto agli indipendenti in generale, ma dentro questa categoria ci sono persone, gruppi, correnti di tendenze molto diverse, anche provenienti dalla ex Concertación, o con un orientamento liberal-progressista ma inclini a formare alleanze e accordi con le forze conservatrici.

    Quali sono i rischi a cui fare attenzione in questo nuovo scenario politico?

    Al momento siamo felici per la tremenda sconfitta della destra e dell’ex Concertación, non solo nella Convenzione Costituente ma anche in comuni chiave come Maipú, Viña del Mar, Santiago centro, Valdivia, dove hanno vinto le forze progressiste. Però ci sono due elementi che ci richiamano all’analisi rigorosa: il primo è, come dicevo, la possibilità che la destra riesca a costruire alleanze nella futura Convenzione Costituzionale per bloccare le proposte contrarie ai suoi interessi.

    Il secondo è la bassa partecipazione elettorale, specialmente nei settori popolari. Solo il 43,3% degli aventi diritto al voto si è recato alle urne, il che significa che più di un milione di persone che avevano partecipato al plebiscito del 25 ottobre (dove l’affluenza superò il 50%) non lo hanno fatto questa volta. Ancora più preoccupante è che la percentuale di votanti in Cile tradizionalmente è proporzionale al livello socio-economico, cioè l’affluenza alle urne è più alta nei comuni più ricchi del paese, gli unici dove nel Plebiscito aveva vinto il “no” alla nuova Costituzione.

    Ci sono più di un milione di persone che hanno votato nel Plebiscito e non sono andate a votare ora, perché hanno scelto di non farlo? Cosa è cambiato tra le due elezioni?

    La bassa affluenza alle urne in Cile è un fenomeno di lunga data che ha a che fare con molti fattori: la depoliticizzazione che si è radicata dalla dittatura in poi, ma anche la sensazione generale che la destra e la ex Concertación sono la stessa cosa, e questo è un fattore molto persistente, che si è modificato parzialmente con la ribellione popolare a partire dall’ottobre 2019, ma non si è rispecchiato in questa elezione. La mia ipotesi è che una percentuale significativa di persone che ha partecipato al Plebiscito questa volta non è andata a votare perché si è resa conto delle regole e degli ostacoli posti dalla casta parlamentaria per limitare la sua espressione libera e sovrana, come l’obbligo di riunire due terzi di consensi per approvare qualsiasi mozione, o il divieto di discutere i trattati internazionali e i requisiti che hanno complicato l’iscrizione delle candidature indipendenti.

    L’Accordo per la Pace Sociale e la Nuova Costituzione firmato il 15 novembre 2019 e la riforma costituzionale del mese successivo hanno disegnato un percorso dove deviare la tremenda energia della ribellione popolare ed evitare che sia minacciosa per gli interessi dominanti.

    Nonostante questo, la composizione della Convenzione Costituente che esce dal voto popolare riapre la partita. Quali sono le sfide da affrontare affinché questo processo riesca a forzare gli stretti limiti del campo di gioco?

    Ebbene, da tutte le precedenti considerazioni nascono una serie di compiti per le forze che vogliono promuovere cambiamenti profondi nella società: il primo è mantenere alta la mobilitazione sociale, il secondo è alimentare l’interazione con i delegati alla Convenzione Costituzionale, soprattutto quando vengono dalle assemblee territoriali, dalle organizzazioni sociali, dal movimento. La consultazione permanente della base è fondamentale per evitare accordi alle spalle della cittadinanza, come fece la Concertación con la destra pinochetista alla fine degli anni ’80 e all’inizio dei ’90.

    Inoltre, è necessario esigere che tutte le sessioni della Convenzione siano trasparenti e pubbliche, e infine come Forum per l’Assemblea Costituente diciamo da molto tempo che la Convenzione deve dichiararsi libera e sovrana, adottare autonomamente le proprie regole, il che significa che potrebbe mettere in discussione la regola dei due terzi e decidere un’altra percentuale per l’approvazione delle sue mozioni, oppure potrebbe adottare la formula del plebiscito intermedio, destinata a risolvere tutti quei punti in cui non si raggiunge il quorum dei due terzi ma solo una maggioranza semplice del 50% più uno. Siamo in uno scenario fluido, tutto è possibile, ma dipende in gran parte dai protagonisti della ribellione popolare iniziata il 18 ottobre se riusciremo ad avanzare.

    In queste settimane in Colombia è scoppiata una rivolta popolare che trae le sue origini dagli scioperi nazionali dell’ottobre 2019 e che ha molto in comune con la ribellione cilena di allora. Qual è la relazione tra le due?

    La ribellione popolare colombiana ha molti elementi in comune con quella cilena, è forse l’unico processo politico in Sud America negli ultimi anni che assomiglia al nostro. Evidentemente il processo colombiano è diverso da quello cileno, ma ha molte caratteristiche simili, dall’organizzazione della prima linea agli slogan, simboli e canzoni, comprese alcune di oltre mezzo secolo fa, come “el pueblo unido jamás será vencido“.

    Il popolo cileno ha iniziato nel 2019 una ribellione che oggi si vede di nuovo in Colombia, è iniziata prima probabilmente perché il Cile è il modello neoliberale più estremista del pianeta. Il neoliberalismo esiste quasi ovunque, ma in nessun’altra parte del mondo è stato applicato così dogmaticamente e ferocemente come in Cile. Lo dicevano chiaramente i cartelli durante la ribellione popolare: “il neoliberalismo nasce e muore in Cile,” è un compito che richiede anni, e va oltre la nuova Costituzione, ma potrebbe essere un precedente importante, un esempio per altri Paesi.

  • Mario Paciolla, molta solidarietà ma ancora nessuna giustizia

    Mario Paciolla, molta solidarietà ma ancora nessuna giustizia
     Il murales di Luca Carnevale al Vomero

    Di Gianpaolo Contestabile da Il Manifesto

    A oltre 10 mesi dalla morte di Mario Paciolla, avvenuta durante la Missione di Verificazione degli Accordi di Pace dell’Onu in Colombia, i genitori, Anna e Giuseppe, continuano a chiedere giustizia e verità per loro figlio: «Purtroppo non abbiamo notizie precise di quello di cui la procura di Roma è venuta a conoscenza, sappiamo che sono molto impegnati per svolgere un’approfondita istruttoria e che hanno presentato diverse rogatorie. Sappiamo che la fiscalia colombiana appare collaborativa, poco sappiamo invece dell’Onu. Ultimamente abbiamo appreso dai giornali che sia i Ros che la procura si sono recati in Colombia, in tempo di pandemia davvero un fatto straordinario. Noi immaginiamo che riguardo all’autopsia ci siano ancora approfondimenti da svolgere e che ci siano documenti che dovranno ancora arrivare dalla Colombia, pertanto, tutto è coperto da assoluto riserbo».

    La mancanza di informazioni provenienti dalle autorità giudiziarie non è l’unica difficoltà riscontrata, infatti i genitori chiariscono che: «A livello istituzionale centrale non abbiamo avuto nessun contatto». Se la politica nazionale non sembra volersi esporre per fare luce sulla vicenda, la comunità politica e sociale che sostiene la causa della famiglia Paciolla continua invece a ingrandirsi: «Abbiamo avuto la solidarietà di sindaci, presidi e gente comune che hanno aderito all’iniziativa di esporre dei banner per chiedere giustizia per Mario». Alla lista dei municipi solidali che hanno deciso di esporre gli striscioni figurano Casoria, Crispano, Caivano, Mugnano, Frattamaggiore, Sant’Anastasia e lo stesso comune di Napoli.

    Nel capoluogo campano, nel quartiere del Vomero, nel nuovo campo sportivo intitolato al cestista Kobe Bryant, è stato inaugurato un murales dedicato a Mario Paciolla. L’artista Luca Carnevale lo ha raffigurato in compagnia di Corto Maltese, il celebre marinaio protagonista delle opere di Hugo Pratt, e di una scogliera affacciata sul mare, lo stesso mare in cui sognava di poter tornare a bagnarsi, come confidò ai genitori pochi giorni prima della sua morte violenta.

    Un murales che fa da monito per il rispetto dei diritti umani e che costruisce un legame tra chi vive nell’hinterland napoletano e le centinaia di migliaia di persone che chiedono giustizia e verità dall’altra parte dell’oceano, in un Paese, la Colombia, dove chi difende i diritti umani continua a essere ucciso impunemente. Se già durante il 2020 la Colombia deteneva il triste record di uccisioni di attivisti e attiviste dei diritti umani, 177 omicidi su 331 commessi a livello mondiale, nelle ultime settimane le violenze contro movimenti sociali e manifestanti si è intesificata ulteriormente. Dal 28 aprile, il giorno in cui è iniziato lo sciopero nazionale, sono stati assassinati circa 40 manifestanti, si contano più di 500 desaparecidos, più di mille arresti arbitrari, centinaia di feriti, decine dei quali con gravi lesioni oculari e diversi casi di violenze sessuali e di genere. Sono decine anche i casi di aggressioni alle organizzazioni umanitarie, tra cui l’Onu che ha denunciato violenze e esecuzioni perpetrate dalla polizia colombiana.

    Già nel 2018 Mario Paciolla, con lo pseudonimo Astolfo Bergman, descriveva sulle pagine di Limes i rischi insiti nell’elezione, allora appena avvenuta, dell’attuale presidente della Repubblica colombiana Ivan Duque. Mario definiva la vittoria di Duque come «il successo di uno dei più fermi oppositori di quanto pattuito a L’Avana», cioè gli Accordi di Pace, lasciando presagire un nuovo periodo di guerra e di violenze contro la popolazione colombiana.

    In questo contesto di ingiustizia sociale e sistematica violazione dei diritti umani diventa fondamentale la presa di posizione degli organismi internazionali come le Nazioni Unite.

    I genitori di Mario Paciolla si rivolgono proprio all’Onu: “Un’organizzazione molto importante e potente, secondo noi poco disposta a collaborare coi nostri legali forse per un diretto coinvolgimento e tarda a darci risposte su ciò che è successo in quella discussione che Mario ebbe proprio con membri dell’organizzazione». E concludono con un appello diretto a «chi lavorava con Mario, chi ha condiviso con lui momenti di amicizia, vacanze e si dichiarava amico di nostro figlio, possibile che non sappiano nulla, non hanno una loro etica e coscienza che li richiama a dire la verità e soprattutto si fidano di un’organizzazione che non è capace di proteggere e tutelare i suoi dipendenti? O la morte di un amico e di un collega vale meno di uno stipendio?».

  • Desaparición de personas en Guanajuato: la deuda pendiente de los municipios

    Desaparición de personas en Guanajuato: la deuda pendiente de los municipios
    Portada de la cuenta twitter de alertas por desaparición @DesapGto

    La actuación de los ayuntamientos puede hacer la diferencia, pues desde el nivel local son muchas las posibilidades de acción tanto en las primeras horas de ausencia como en los casos de larga data y la atención a víctimas, pero se requiere abrir la discusión pública del tema


    Por Fabrizio LorussoPlataforma por la Paz y la Justicia en Guanajuato[1]Link web

    La desaparición de personas es una violación grave y múltiple a los derechos humanos, un delito de tipo continuo e imprescriptible, que representa una ruptura material y simbólica del orden y de la convivencia social, comunitaria y familiar. En México son más de 88 mil las personas cuyo paradero se desconoce y que deben ser buscadas. En Guanajuato son 2 mi 556. El aumento de los casos ha sido exponencial e imparable desde 2018, sin que esto signifique que con anterioridad el fenómeno ya no tuviese una presencia preocupante que no fue atendida en la entidad.

    Según el antiguo Registro Nacional de Personas Extraviadas y Desaparecidas, extinto el 30 de abril de 2018, en Guanajuato en esa fecha había 621 personas desaparecidas del fuero común y federal, siendo los municipios de Celaya (97 casos totales), León (82), Pénjamo (44), Apaseo el Alto (28) y Guanajuato (27) los de mayor incidencia. Casi tres años después, a la fecha del 3 de marzo de 2021, los municipios con más personas desaparecidas eran: Celaya (con 362), Irapuato (315), León (277), Salamanca (161) y Pénjamo (119).

    Durante todo 2020 en Guanajuato fueron 3 mil 096 las personas que fueron reportadas como desaparecidas. Para la pronta localización de cada una de ellas, independientemente de los posibles crímenes que se hubieran cometido en su contra, según las leyes y los protocolos vigentes, debieron activarse los mecanismos de búsqueda o de investigación pertinentes que involucran a varias instituciones, como la Fiscalía, la Policía y la Comisión Estatal de Búsqueda. Sabemos que esto no siempre sucede, o no con la rapidez que se requeriría. En muchos casos son las familias de las personas desaparecidas las que organizan brigadas de búsqueda inmediata, difunden alertas en los barrios, acuden a los medios de comunicación, formulan hipótesis, siguen pistas e investigan, exponiéndose incluso a peligros y amenazas. En el estado ahora hay 13 colectivos de búsqueda y diversos actores de la sociedad civil que brindan apoyo en algunos casos, sin embargo, no siempre cuentan con las atribuciones y capacidades que sí deben de tener las instituciones del Estado.

    En este contexto, la actuación de los ayuntamientos puede hacer la diferencia, pues desde el nivel local son muchas las posibilidades de acción tanto en las primeras horas de la desaparición como en los casos de larga data y la atención a víctimas. Los municipios, de hecho, tienen obligaciones legales y, a partir de ese piso mínimo, pueden implementar programas, mejorar los protocolos de actuación y las medidas de apoyo a las familias.

    Diseño de Juan José Plascencia, PopLab.Mx, con información de Fabrizio Lorusso.

    La atención política y pública hacia la problemática, así como las medidas concretas de tipo legal, social y operativo para encararla, han sido limitadas y tardías en la entidad, siendo los gobiernos municipales corresponsables de este retraso, pues estas obligaciones y atribuciones no han sido debidamente atendidas. No hemos visto todavía en Guanajuato un gobierno municipal encarar y adoptar esta problemática en colaboración con las víctimas, las familias, los colectivos y las organizaciones que los acompañan. Se trata de una alianza necesaria, especialmente en el contexto de macrocriminalidad, conflicto y violencia que experimentamos tanto en las ciudades más grandes y pobladas como en los centros menores.

    El objetivo debe ser elaborar políticas públicas desde el nivel local que, coordinándose con los grupos sociales interesados y con las instituciones estatales y federales involucradas, vayan más allá de lo previsto por la Ley General en Materia de Desaparición, por la Ley General de Víctimas, y por las equivalentes leyes estatales, la Ley para la Búsqueda de Personas Desaparecidas en el Estado de Guanajuato y la Ley de Víctimas del Estado de Guanajuato, además del Protocolo Homologado de Búsqueda. En todas estas normativas la coordinación interinstitucional, así como el principio de participación conjunta con las víctimas, son principios fundamentales a tener en cuenta. Al respecto, existe una deuda pendiente de los gobiernos municipales con las y los desaparecidos que ya pesa y no puede ser ignorada durante tres años más.

    Foto: Edith Domínguez/PopLab.Mx

    Se proponen algunos ejes de acción que son indicativos, no agotan las propuestas posibles, pero constituyen una base para abrir una discusión pública que pueda incidir en políticas concretas en el corto y mediano plazo. Hace falta ampliarlos y mejorarlos a partir de las propuestas propias de las familias y de los colectivos que ya cuentan con una experiencia directa en la búsqueda. Para su efectividad, estos deben basarse en un enfoque de derechos humanos, que extiende los estándares mínimos; en una dinámica participativa y colaborativa con las víctimas y sus organizaciones; en un modelo proactivo y diferencial, no sólo reactivo y uniforme.

    Ejes de acción

    • Grupos de búsqueda con protocolos mejorados y colaboración con colectivos/sociedad civil
    • Búsqueda inmediata, en vida, e “inteligencia comunitaria”
    • Plan de capacitación a grupo de búsqueda, Secretaría de Seguridad Pública y funcionarios, con énfasis en enfoques diferenciados (búsqueda de mujeres, personas con discapacidad, migrantes, pueblos indígenas, niños, niñas y adolescentes, entre otras)
    • Hacer análisis de contexto desde el nivel micro-local y municipal
    • Plan de verificación cámaras, panteones municipales, fosas comunes, sitios de detención
    • Sistema de difusión de alertas municipales inmediatas
    • Módulo y medidas especiales de atención a víctimas indirectas de la desaparición
    • Mesas de seguimiento entre familiares, acompañantes y autoridades
    • Medidas de apoyo estructural para la mejor organización de las familias
    • Proyectos para la memoria, la reparación, la no repetición
    • Personas en situación de calle o internadas: solicitar búsqueda de familia si es el caso
    • Verificación puntual de lo previsto en Ley de Víctimas estatal y general para municipios
    • Programas de sensibilización de la administración pública y de la ciudadanía

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    Link artículo más extenso sobre el tema: enlace 1

    Link libro Propuestas para León 2021/Ibero León con Pdf sobre el tema: enlace 2

    Infografías de @DesapGto Twitter: unodue

    Link art. Original en PopLab: https://bit.ly/3ylnepR  

    Plataforma por la paz y la justicia en Gto: Facebook link


    [1] La Plataforma por la Paz y la Justicia en Guanajuato agrupa proyectos académicos y sociales para fortalecer y acompañar las exigencias de víctimas de desaparición de personas y los colectivos de búsqueda de personas.