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Diário Trabalhista do #Covid19 no Brasil: A necropolítica do governo Bolsonaro na pandemia do COVID19

Logo foto diario trabalhista Osmar Covid19

De Osmar Alencar Jr. e Fabrizio Lorusso

[Versión en portugués y, en seguida, en español – 30/03/2020]

Os conceitos de biopolítica e necropolítica tornaram-se cada vez mais relevantes nas ciências sociais, e até na mídia, para interpretar as contradições e violências da época em que vivemos, caracterizada por um sistema capitalista mundializado, neoliberal, financeirizado, cuja raiz é a superexploração do trabalho e a concepção do produto como riqueza de poucos e pobreza/miséria de muitos.

 

Podemos entender a biopolítica como uma forma de poder e gestão da vida humana, da população e da sociedade como parte da espécie, a partir de seus constituintes biológicos e existenciais. Também, entendida como uma função “protetora” e, ao mesmo tempo, controladora e disciplinadora, sobre corpos e grupos humanos, exercida pelo Estado por meio de leis e políticas públicas.

 

Essa função protetora do Estado é exercida pelo biopoder, o poder do Estado de regular a sociedade em vários aspectos da vida, desde o nascimento até a morte. Ganhou espaço na Europa Ocidental com o Welfare State. Tal poder passou a decidir sobre quem proteger ou não na população, estabelecendo hierarquias étnicas, de classe ou de gênero contra aqueles que supostamente representam uma “ameaça” para o resto da sociedade: por exemplo, isso acontece com a criminalização da migração e negação de serviços de saúde para refugiados; com a escolha sobre qual vida deve prevalecer, se a de jovens ou de idosos, quando respiradores são escassos em um hospital lotado por centenas de pessoas infectadas pelo COVID-19 ou quando opta por retirar a população jovem do isolamento social, em meio a uma pandemia, para não afetar os mercados.
Diferentemente da biopolítica, a necropolítica parte da suposição de que o biopoder global na periferia não funciona da mesma forma que no centro capitalista. Refere-se a outro tipo de poder, o de matar por meio de tecnologias e dispositivos, legais e ilegais, com efeitos muito mais radicais, como acontece com a guerra às drogas, o feminicídio, o desaparecimento forçado, a escravidão, o tráfico de pessoas, entre outras graves violações dos direitos humanos. Seu objetivo é administrar a morte, não mais a vida.

 

Na África, Ásia e América Latina, mas também, acrescentamos, nas periferias do sistema na Europa ou nos Estados Unidos, atinge seus extremos: populações inteiras sobrevivem como mortos-vivos ou caminhantes espectrais dentro de novos campos de concentração, micro-estados de exceção para os “sacrificáveis” ou “descartáveis” (homo sacer, de acordo com Giorgio Agamben) da sociedade.

 

Regular a vida e a morte são dois lados do mesmo medalhão, os objetivos da bio e da necropolítica. E, estes, na prática, são liderados cada vez menos pelo Estado-nação e mais por atores privados e paraestatais, oligopólios e poderes criminais ou legais (ou uma mistura de ambos), em plena harmonia com o modelo socioeconômico e ideológico dominante, do tipo privatizador e saqueador de bens comuns e direitos em todo o mundo.

 

No Brasil, a pandemia do COVID-19 tem evidenciado que a opção do governo Bolsonaro, expresso nas declarações e ações, é cada vez mais minimizar o espaço da biopolítica e maximizar o da necropolítica. A estratégia do governo de extrema direita neoliberal para garantir o processo de acumulação capitalista em tempos de crise estrutural, uma combinação de crise econômica e política-ideológica, é adotar medidas que desprezem a vida da população mais vulnerável (idosos e trabalhadores de menor renda), em favor de uma pequena fração da burguesia (financeira, comercial e agroindustrial) que dá sustentação política ao governo.

 

Nesse sentido, desde o início do governo Bolsonaro (2019) várias medidas foram tomadas para reduzir a proteção do Estado, principalmente para a classe trabalhadora de baixa renda e para os idosos: contrarreforma da previdência social, redução do fluxo de recursos orçamentários para a educação e saúde pública – desmonte das universidades públicas e do Sistema Único de Saúde –, cortes drásticos no orçamento de ciência e tecnologia e gestão ambiental e desestruturação do serviço público.

 

Todas essas medidas visavam atender o cumprimento da Emenda Constitucional 95 (EC 95) que congelou os gastos sociais e investimentos públicos por 20 anos e liberou os gastos financeiros, tais como juros e amortizações da dívida pública, com o objetivo de fazer superávits primários para honrar os compromissos para com a fração da burguesia financeira e rentista, independentemente da situação econômico-social do país. Eis uma clara sinalização de que na biopolítica do governo Bolsonaro, o cuidar ou a proteção do Estado está voltada para uma pequena fração da burguesia nacional e internacional.

 

Entretanto, o ano de 2020 iniciou com a pandemia do COVID-19, a necessidade de isolamento social da população e com o aprofundamento da crise econômico-política mundial. Nesse cenário, os governos dos países, mesmo os mais neoliberais como EUA e Inglaterra, adotaram medidas econômicas e sociais de cuidado com suas populações mais vulneráveis acometidas pelo Corona vírus, bem como em relação aos trabalhadores(as) afetado(a)s pela redução drástica ou paralisação das atividades econômicas. Nessa perspectiva, os governos neoliberais têm buscado no Estado, na biopolítica, a saída para combater a pandemia e a consequente depressão econômica iminente no mundo.

 

Na contramão do uso da biopolítica como estratégia para minimizar os efeitos da pandemia na saúde e na economia, o governo Bolsonaro resolveu radicalizar politicamente e adotou a estratégia da necropolítica para inibir a crise de acumulação, aprofundada pelo isolamento social e pela redução das atividades produtivas não essenciais ao combate do Corona vírus.

 

Tal estratégia fundamenta-se na negação da pandemia no discurso do Presidente da República, tratando-a como uma “gripezinha”, de baixa letalidade, inferior a outros vírus, como, por exemplo, o da influenza, comum nos verões chuvosos do país. Ou ainda, no menosprezo às vítimas, afirmando que ocorreria no máximo a morte de alguns idosos, que já estariam sujeitos à morte por outras doenças infectocontagiosas.

 

Portanto, para Bolsonaro, o isolamento social vertical da população seria a estratégia mais indicada para contenção do contágio, pois confinando os idosos acima de 60 anos em casa, os jovens – cuja mortalidade é baixíssima – poderiam voltar a trabalhar para garantir a normalidade do funcionamento dos mercados e da economia. Segundo ele, sem o retorno deles para as atividades econômicas, as consequências de uma paralisação da produção e circulação de mercadorias para a população seria pior que algumas mortes de idosos.

 

A negação da pandemia tem sido acompanhada de medidas econômicas tímidas para os trabalhadores mais vulneráveis e de ações preventivas massivas para o capital. Enquanto, inicialmente, propôs a liberação de R$ 200,00 para cada trabalhador informal por três meses, a suspensão dos contratos de trabalhos sem o correspondente pagamento de salários pelos patrões e a redução de até 50% dos salários dos servidores públicos durante a pandemia, já aprovou o socorro de R$ 2,3 trilhões para o sistema financeiro, sendo R$ 1,2 trilhão para a liquidez dos bancos e R$ 1,1 trilhão para garantir futuras perdas das empresas no mercado financeiro. Assim, mais uma vez reafirma sua preferência pela proteção de uma pequena fração da burguesia, em detrimento da maioria da população brasileira.

 

A estratégia e as medidas econômicas adotadas pelo governo receberam duras críticas da sociedade brasileira, com muitos “panelaços” de insatisfação da população durante os pronunciamentos, pela TV, do Presidente Bolsonaro. Os governadores dos Estados criticaram a minimização da pandemia pelo governo federal e tomaram medidas diametralmente opostas: proibição de aglomeração de pessoas, isolamento horizontal da população, fechamento do comércio, dos aeroportos e das fronteiras para os Estados mais afetados pela pandemia, redução do funcionamento do transporte coletivo e interdição de praias. As ações dos governadores, em pouco tempo, surtiram o efeito esperado de isolamento e a grande maioria das pessoas passou a ficar confinada em suas moradias ou abrigos públicos.

 

O isolamento horizontal implementado pelos governos estaduais foi repudiado pelo presidente, que em pronunciamento em rede nacional de comunicação, criticou a alternativa adotada para conter o Corona vírus. Repetiu Bolsonaro que o controle da pandemia havia se tornado um caso de histeria coletiva, alegando que este surto não poderia parar a economia do país. Portanto, conclamou toda a população, em especial os mais jovens, a voltar ao trabalho, bem como os pais a levarem seus filhos para a escola, contrariando as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde.

 

Ultrapassando os limites da razoabilidade, incentivou a realização de carreatas pró-Governo e pelo fim do confinamento horizontal da população, além de patrocinar com dinheiro público uma campanha publicitária orçada em R$ 4 milhões, sem licitação, para defender que o Brasil não podia parar e que as pessoas saíssem do isolamento horizontal. Felizmente, a Justiça Federal brasileira suspendeu a campanha, por ir de encontro às recomendações da OMS e à vida dos brasileiros.

 

As medidas sanitárias e econômicas do Governo Bolsonaro privilegiam o mercado e a fração mais rica da população brasileira e vão na contramão das adotadas pelos países com população mais contaminada pelo Corona vírus – China, Itália, Espanha, Inglaterra e EUA -, que são: isolamento horizontal e gigantesca ajuda econômica do Estado aos trabalhadores e suas famílias.

 

Na essência, tais medidas do governo brasileiro, por um lado, levarão um maior número de brasileiros a se contaminar e morrer; e por outro, deixarão muitos trabalhadores confinados morrerem de fome; desse modo, não visam cuidar das vidas, mas administrar a morte dos mais vulneráveis, aqueles que menos contribuem e mais geram gastos para o Estado. Para os neoliberais do governo, quanto mais idosos e miseráveis falecerem na pandemia, menos recursos públicos serão destinados aos gastos com as políticas sociais, favorecendo o superávit fiscal e o repasse de mais recursos para o pagamento da dívida pública.

 

É uma saída genocida e primordial para o fôlego do capital, pois uma limpeza social em curso no país, nesse momento, destinará mais recursos públicos para uma pequena fração da burguesia nacional e internacional, conveniente em um cenário de queda nos lucros das empresas. Para barrar esta necropolítica do governo Bolsonaro é necessária uma rebelião da classe trabalhadora brasileira: paralisar todas as atividades econômicas e os serviços não essenciais para o combate ao COVID-19. A prioridade é salvar vidas e não salvar o capital. Basta, governo Bolsonaro!


VERSIÓN EN ESPAÑOL: 

LA NECROPOLÍTICA DEL GOBIERNO BOLSONARO EN BRASIL ANTE LA PANDEMIA DEL COVID19

(30/03/2020)

Fabrizio Lorusso (Twitter @FabrizioLorusso)

Osmar Alencar Jr. (Email: jrosmar@hotmail.com)

Los conceptos de biopolítica y necropolítica se han vuelto cada vez más relevantes en las ciencias sociales e, incluso, en los medios de comunicación, para interpretar las contradicciones y la violencia del tiempo en que vivimos, caracterizado por un sistema capitalista globalizado, neoliberal y financiarizado, cuya raíz es la sobreexplotación del trabajo y cuyos productos son la riqueza de unos pocos y la pobreza / miseria de muchos.

Podemos entender la biopolítica como una forma de poder y gestión de la vida humana, la población y la sociedad en cuanto parte de la especie, con base en sus componentes biológicos y existenciales. Además, es entendida como una función “protectora” y, al mismo tiempo, de control y disciplina, sobre cuerpos y grupos humanos, ejercida por el Estado a través de leyes y políticas públicas.

Esta función protectora del Estado es ejercida a través del biopoder, el poder del Estado para regular la sociedad en varios aspectos de la vida, desde el nacimiento hasta la muerte. Igualmente ganó espacio en Europa occidental con el Estado del Bienestar y tal poder llegó a decidir a quién proteger o no proteger dentro de la población, estableciendo jerarquías étnicas, de clase o de género contra aquellos que supuestamente representan una “amenaza” para el resto de la sociedad: por ejemplo, esto ocurre con la criminalización de la migración y la denegación de servicios de atención de salud para refugiados; con la decisión sobre cuál es la vida más importante, la de los jóvenes o los ancianos, cuando los respiradores son escasos en un hospital atestado de cientos de personas infectadas con Covid19, o cuando se deciden retirar a la población joven, en medio de una pandemia, del aislamiento social para no afectar a los mercados o la cadena productiva.

A diferencia de la biopolítica, la necropolítica parte del supuesto de que el biopoder global en la periferia no funciona de la misma manera que en el centro capitalista. Se refiere a otro tipo de poder, el de matar mediante tecnologías y dispositivos, legales e ilegales, con efectos mucho más radicales, como es el caso de la guerra contra las drogas, el feminicidio, la desaparición forzada, la esclavitud, el tráfico de drogas y personas, entre otras violaciones graves de los derechos humanos. Su objetivo es manejar la muerte, ya no la vida.

En África, Asia y América Latina, pero también, agrego, en las periferias del sistema en Europa o Estados Unidos, llega a sus extremos: poblaciones enteras sobreviven como muertos vivientes o caminantes espectrales dentro de nuevos campos de concentración, microestados de excepción para tratar al “sacrificable” o “desechable” (homo sacer, según Giorgio Agamben) de la sociedad.

La regulación de la vida y la muerte son dos lados del mismo medallón, los objetivos de la bio y la necropolítica, en la práctica, son liderados cada vez menos por el Estado-nación y más por actores privados y paraestatales, oligopolios y poderes criminales o legales (o una mezcla de ambos), en plena armonía con el modelo socioeconómico e ideológico dominante, del tipo privatizador y saqueador de bienes y derechos comunes en todo el mundo.

En Brasil, la pandemia de COVID-19 ha demostrado que la opción del gobierno de Bolsonaro, expresada en declaraciones y acciones, es minimizar cada vez más el espacio de la biopolítica y maximizar el de la necropolítica. La estrategia del gobierno neoliberal de extrema derecha para garantizar el proceso de acumulación capitalista en tiempos de crisis estructural, una combinación de crisis económica y político-ideológica, es adoptar medidas que desprecian la vida de la población más vulnerable (los trabajadores de edad avanzada y de bajos ingresos) a favor de una pequeña fracción de la burguesía (financiera, comercial y agroindustrial) que brinda apoyo político al gobierno.

En este sentido, desde el comienzo del gobierno (2019) se han tomado varias medidas para reducir la protección del Estado, principalmente para la clase trabajadora de bajos ingresos y para los ancianos: contrarreforma de la seguridad social, reducción del flujo de recursos presupuestarios para educación y salud pública, desmantelamiento de las universidades públicas y el Sistema Único de Salud, recortes drásticos en el presupuesto para ciencia y tecnología y gestión ambiental e interrupción del servicio público.

Todas estas medidas tenían como objetivo cumplir con la Enmienda Constitucional 95 (CE 95), que congeló el gasto social y las inversiones públicas durante veinte años, y liberó gastos financieros, con intereses y amortizaciones de deuda pública, con el objetivo de hacer excedentes primarios para honrar compromisos con la fracción de la burguesía financiera y rentista, independientemente de la situación económica y social del país. Una señal clara de que en la biopolítica del gobierno de Bolsonaro, el cuidado o la protección del Estado está dirigido a una pequeña fracción de la burguesía nacional e internacional.

Sin embargo, el año 2020 comienza con la pandemia del coronavirus, la necesidad de aislamiento social de la población y la profundización de la crisis económica y política mundial. En este escenario, los gobiernos de los países, incluso los más neoliberales como Estados Unidos e Inglaterra, adoptaron medidas económicas y sociales de atención con sus poblaciones más vulnerables afectadas por el coronavirus y con las y los trabajadores afectados por la reducción drástica o la paralización de las actividades económicas. Los gobiernos neoliberales van buscando en el Estado, en la biopolítica, la salida para combatir la pandemia y la depresión económica venidera en el mundo.

Contra el uso de la biopolítica como estrategia para minimizar los efectos de la pandemia en la salud y la economía, el gobierno de Bolsonaro decide radicalizarse políticamente y adopta la estrategia de la necropolítica para minimizar la crisis de acumulación, profundizada por el aislamiento social y la reducción de actividades no productivas. Esencial para combatir el coronavirus.

Dicha estrategia se basa en la negación por parte del Presidente de la República de la pandemia, a lo sumo una “pequeña gripe”, de baja letalidad, inferior a otros virus, como la gripe, común en los veranos lluviosos del país. A lo sumo, algunas personas mayores morirán, que ya estarían sujetas a la muerte por otras enfermedades infecciosas. Por lo tanto, según Bolsonaro, el aislamiento social vertical de la población es lo más apropiado, ya que al dejar a los ancianos mayores de 60 años en casa, los jóvenes, en los que la mortalidad es muy baja, podrán volver a trabajar para garantizar el funcionamiento normal de los mercados. y la economía. Sin su regreso al mercado, las consecuencias de un alto a la producción y circulación de bienes para la población serían peores que algunas muertes de ancianos.

Esta estrategia de negar la pandemia va acompañada de medidas tímidas para los trabajadores más vulnerables y acciones preventivas masivas para el capital. Si bien, inicialmente, libera $ 200.00 (reales brasileños) para el trabajador informal durante tres meses, propone la suspensión de los contratos de trabajo sin el pago de salarios por parte del jefe y la reducción de hasta el 50% de los salarios de los servidores públicos durante la pandemia. Libera una ayuda de R $ 2,3 trillones para el sistema financiero, de los cuales R $ 1,2 trillones para liquidez bancaria y R $ 1,1 trillones para garantizar pérdidas futuras de empresas en el mercado financiero. Reafirmando la preferencia de proteger a una pequeña fracción de la burguesía a expensas de la mayoría de la población brasileña.

La estrategia y las medidas económicas adoptadas por el gobierno recibieron duras críticas de la sociedad brasileña, con muchos “abucheos” durante los pronunciamientos del presidente Bolsonaro. Los gobernadores estatales criticaron la minimización de la pandemia por parte del gobierno federal y comenzaron a tomar medidas de aislamiento diametralmente opuestas de la población: cierre del comercio y cierre temporal de aeropuertos y fronteras a otros estados más afectados por la pandemia, reducción del transporte público, prohibición de playas y prohibición de multitudes. Las acciones de los gobernadores, en poco tiempo, tuvieron el efecto esperado de aislamiento y La gran mayoría de las personas comenzaron a ser confinadas en sus hogares o refugios públicos.

El aislamiento vertical implementado por los gobiernos estatales fue repudiado por el presidente, quien en un comunicado en una red nacional de comunicación criticó la alternativa implementada en los estados para contener el coronavirus. Bolsonaro repitió que la pandemia era una histeria colectiva, ya que no era más que un “pequeño resfriado”, y que no podía detener la economía del país. Por lo tanto, llamó a toda la población, especialmente a los más jóvenes a regresar al trabajo y a los padres a llevar a sus hijos a la escuela. Fue mucho más lejos, patrocinó con dinero público una campaña nacional de R $ 4 millones, sin licitación, para decir que Brasil no puede parar y que la gente abandona el aislamiento vertical. Afortunadamente, la Justicia Federal de Brasil suspendió la campaña para cumplir con las recomendaciones de la OMS y la vida de los brasileños.

Las medidas sanitarias y económicas del gobierno de Bolsonaro van en contra de las adoptadas por los países más afectados por el coronavirus (China, Italia, España, Inglaterra, Estados Unidos), el aislamiento vertical y la gigantesca ayuda económica del Estado a los trabajadores y sus familias. Favorecen el mercado y la fracción más rica de su población.

En esencia, las medidas sanitarias y económicas, por un lado, llevarán a un mayor número de brasileños a contagiarse y morir, y por otro lado, dejarán que muchos trabajadores confinados mueran de hambre, con el objetivo de no cuidar más sus vidas, sino más bien administrar la muerte de los más vulnerables, aquellos que contribuyen menos y generan más gastos para el Estado, ya que cuanto más viejos y miserables mueren en la pandemia, menos recursos públicos se destinarán al gasto social y más al gasto financiero.

Es una salida genocida y necesaria para el capital, donde el gobierno de Bolsonaro utiliza la necropolítica, concretada en formas de selección y limpieza sociales, para minimizar la reducción de las ganancias capitalistas en un escenario adverso. Por esta razón, la clase obrera brasileña tiene que rebelarse y paralizar todas las actividades económicas y servicios no esenciales en la lucha contra COVID-19, porque la prioridad es salvar vidas y no salvar el capital.

Diário Trabalhista do #Covid19 no Brasil: Os trabalhadores primeiro, o capital depois

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[Tercera entrega (24/03/2020) para lamericalatina.net en portugués del académico y activista Osmar Alencar desde el estado brasileño de Piauí – Terza consegna per lamericalatina.net in portoghese dell’accademico e attivista Osmar Alencar dallo stato brasiliano del Piauí]

Por Osmar G. Alencar Jr

Na pandemia do Coronavírus (Covid-19), ao mesmo tempo em que as medidas de isolamento social são a solução encontrada, até agora, para minimizar o contágio da população e reduzir as mortes nos estratos mais vulneráveis da população, são, também, a ruína para o modo de produção capitalista, pois a redução ou a suspensão da produção, da circulação e do consumo de bens e serviços acelera a tendência decrescente das taxas de lucros, paralisa os mercados e aumenta sua crise sistêmica.

Por isso, medidas de isolamento social são questionadas pelo capital e seus seguidores. Assistimos, pela mídia, depoimentos de lideres empresariais brasileiros contestando tais medidas, com argumentos rasteiros, invocando a estatística para explicar que os números de morte no mundo e no Brasil são muito baixas em relação a outras doenças, e, que, portanto, uma “gripezinha” não pode parar a produção, a circulação e o consumo de mercadorias e serviços no Brasil. Nessa perspectiva, tudo isso se resumiria a uma histeria coletiva e descabida. Continua a leggere

Diário Trabalhista do #Covid19 no Brasil: O CAPITAL FINANCEIRO TEM DE DAR A SUA CONTRIBUIÇÃO

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[Segunda entrega (23/03/2020) para lamericalatina.net en portugués del académico y activista Osmar Alencar y de Alyne Maria Barbosa de Sousa, desde el estado brasileño de Piauí – Terza consegna per lamericalatina.net in portoghese dell’accademico e attivista Osmar Alencar e di Alyne Maria Barbosa de Sousa, dallo stato brasiliano del Piauí. Osmar G. Alencar Jr., professor do Departamento de Economia da UDFPar e doutor em Políticas Públicas; Alyne Maria Barbosa de Sousa, professora do Departamento de Gestão e Negócios do IFPI e doutora em Desenvolvimento e Meio Ambiente].

O CAPITAL FINANCEIRO TEM DE DAR A SUA CONTRIBUIÇÃO: Flexibilização da LRF, Revogação da EC 95 e Suspensão do Pagamento do Serviço da Dívida Pública

As medidas econômicas adotadas pelo Governo Bolsonaro para conter a crise econômica aprofundada pela pandemia do Corona vírus são insuficientes, para não dizer apavorantes para a economia brasileira.
Antecipar parte do 13° salário dos aposentados e pensionistas, reduzir juros do crédito consignado para clientes do INSS de 2,08% para 1,8% ao mês, diminuir a taxa de juros do cartão de crédito de 3% para 2,7% ao mês; reduzir o encaixe compulsório dos bancos junto ao Banco Central para aumentar a oferta monetária e baixar os custos do crédito para as famílias e empresas, liberar recursos do DPVAT e do Censo do IBGE para o SUS, declarar calamidade pública do governo federal para poder alterar a meta do resultado primário brasileiro em 2020, e dar auxílio emergencial no valor de R$ 200,00 por pessoa, durante 3 meses, para apoiar os trabalhadores informais, desempregados e microempreendedores individuais que sejam de família de baixa renda serão medidas inócuas para ativar a economia e proteger os cidadãos e os não-cidadãos brasileiros no ano de 2020. Continua a leggere

“Carta aos companheiros” de Cesare Battisti

BattistiNella rivista brasiliana Revista Fórum è uscita la traduzione al portoghese della lettera scritta da Cesare Battisti ai compagni, pubblicata prima su Carmilla Online e poi, con commento, su Infoaut. Buona lettura.

Na revista brasileira Revista Fórum saiu a tradução ao portugués da carta escrita pelo Cesare Battisti aos companheiros, publicada primeiro em Carmilla Online e depois, com comentário, em Infoaut. Boa leitura.

Publicamos essa carta de Cesare Battisti dirigida aos companheiros porque acreditamos que é importante seguir discutindo esta questão mastigada, regurgitada e completamente esquecida pelas mídias. Achamos que é necessário reconhecer o contexto onde a “confissão” do Battisti aconteceu, após anos da construção de um bode expiatório e da auto-absolvição [1] total da sociedade italiana sobre as questões dos anos setenta, com a vontade, mais uma vez, de exorciza-los para negar que alguma vez tenham existido.

Este horrível espetáculo pornográfico produzido no seu retorno a Itália, numa Itália sem história, serve como um ensaio do quanto a imagem de “último dos moicanos [2]” foi colocada sobre ele apenas para reforçar a narrativa dominante.

Entretanto, depois de tudo, Cesare Battisti é apenas um proletário que escolheu opor-se ao capital com as ferramentas e os recursos que possuía, e que, pelos amargos caminhos do destino, foi catapultado no proscênio da propaganda capitalista sem trair a ninguém, a não ser a ideia que muitos tinham sobre ele – De que estaria se dissociando? De um processo político e social terminado há quase trinta anos? Outras foram as dissociações em tempos bem mais tumultuados [3]. Uma abjura fora do tempo é, pelo menos, muito mais humana que alguém que de oprimido virou carrasco.

Leia a carta

Me perguntaram se era verdadeiramente necessário assumir as responsabilidades políticas e penais frente à Procuradoria de Milão? Me pergunto – qual necessidade move aqueles que fazem esta pergunta? Porque, se eu soubesse exatamente o que esperavam de mim, seria muito mais fácil me colocar no lugar deles e talvez encontrar alguma boa justificativa, o que seguramente não falta, para duvidar da minha própria decisão.

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Juventud desaparecida. Los 43 estudiantes de Ayotzinapa y la guerra civil neoliberal en México – Fabrizio Lorusso en libro Religiosidades e Experiencias Espirituais na Contemporaneidade, EDUFPI Brasil

portada libro Religiosidades BRASIL 2018_page-0003.jpg[Capítulo de libro de Fabrizio Lorusso Juventud desaparecida. Los 43 estudiantes de Ayotzinapa y la guerra civil neoliberal en México”, en Cavalcante F.V., Alves do Carvalho, M.A. y Xavier Luz, L.C. (coords.)  Religiosidades e Experiencias Espirituais na Contemporaneidade, Teresina: Editora da Universidade Federal do Piauí – EDUFPI (Brasil), pp. 380-413 ISBN 9788550903040]

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Crisis de los derechos humanos, desigualdades y respuestas sociales en México: perspectiva desde la historia oral y la condición de los jóvenes – Fabrizio Lorusso en libro Juventudes, subjetividades e sociabilidades, EDUFPI – Ithala, Brasil

Portada Libro Juventudes subjetividades e sociabilidades BRASIL_page-0001[Capítulo de libro de Fabrizio Lorusso “Crisis de los derechos humanos, desigualdades y respuestas sociales en México: perspectiva desde la historia oral y la condición de los jóvenes”, en Marinho, R., Perez, O. y Xavier Luz, L.C., Juventudes, subjetividades e sociabilidades, Curitiba (Br): Ed. EDUFPI – Ithala, 2018, pp.  241-269 ISBN 9788550904146]

Crisis of human rights, inequalities and social responses in Mexico: perspectives from oral history and the condition of young people

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El origen del siglo americano y el cambio hegemónico entre el Reino Unido y los Estados Unidos en las relaciones con América Latina – Fabrizio Lorusso – Barbaroi (Brasil)

barbaroi[Artículo académico de Fabrizio Lorusso –  Cita “El origen del siglo americano y el cambio hegemónico entre el Reino Unido y los Estados Unidos en las relaciones con América Latina”, Revista Barbarói. Santa Cruz do Sul (Brasil), n. 27, jul./dic. 2007, pp. 187-210 ISSN 1982-2022 (ON LINE) – 0104-6578 (IMPRESO) – link al original]

Resumo

Este trabajo caracteriza las décadas del despegue industrial de los Estados Unidos subrayando cómo éste se dio muy tempranamente en el siglo XIX y se reflejó, asimismo, en las relaciones dentro del hemisferio occidental. Se analiza la etapa del “paso del testigo” entre las dos hegemonías, Inglaterra y los Estados Unidos, tanto en la economía y la política mundial, como en las poliédricas relaciones con América Latina. Finalmente, se definen los rasgos del periodo de la Gran Depresión y la década siguiente, lo que funciona como marco histórico de la subsiguiente fase alta de la hegemonía estadounidense.

Palavras-chave – Ciclo hegemónico. Paso del testigo. Siglo americano. Relaciones interamericanas. Texto completo:  PDF   DOI: http://dx.doi.org/10.17058/barbaroi.v0i0.142

 

 

 

DE GRAMSCI A NYE: PROCESOS HEGEMÓNICOS EN LAS RELACIONES INTERAMERICANAS PODER DURO Y PODER BLANDO EN LA CONSTRUCCIÓN DE LA HEGEMONÍA DE ESTADOS UNIDOS HACIA AMÉRICA LATINA EN LA SEGUNDA MITAD DEL SIGLO XX – Revista Informe Economico – UFPI Brasil de Fabrizio Lorusso

Informe economico Piaui junio 2015 Num 34[Artículo académico de Fabrizio Lorusso – Cita “De Gramsci a Nye: procesos hegemónicos en las relaciones interamericanas. Poder duro y poder blando en la construcción de la hegemonía de EEUU hacia América Latina en la segunda mitad del siglo XX”, Informe Economico, Revista de la Univ. Federal de Piauí UFPI, Brasil, n. 34, año 17, Junio 2015, pp. 19-29 – link al original PDF]

Resumen: El artículo establece un diálogo entre los conceptos de hegemonía, coerción y consenso de Antonio Gramsci y los de poder duro y blando de Joseph Nye, aplicándolos a la dialéctica internacional entre Estados-nación y, específicamente, a la historia de las relaciones entre Estados y América Latina en la segunda mitad del siglo XX. Se propone la idea de flujo o proceso hegemónico, yendo más allá de una concepción estática en la construcción de la hegemonía, y se dan ejemplos basados en la realidad americana.
Palabras clave: Hegemonía, Flujo Hegemónico, Poder Duro, Poder Blando, América Latina, Estados Unidos, Gramsci, Nye

Abstract: This article institutes a dialogue between the concepts of hegemony, coercion and consensus in Antonio Gramsci’s thought and those of soft and hard power by Joseph Nye. It applies them to the international dialectic between Nation-States and specifically to the history of the US-Latin American relations in the second half of the 20th century. The idea of hegemonic flow, or process, is proposed to overcome a static conception in the construction of hegemony. Examples based upon the Inter-American reality are given.
Key words: Hegemony, Hegemonic Flow, Soft power, Hard Power, Latin America, United States, Grams States, Gramsci, Nye


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